O que é o risco da sequência de retornos?
O risco da sequência de retornos é o risco de que a ordem em que os retornos acontecem prejudique uma carteira da qual se retira dinheiro com regularidade. Sem retiradas, a ordem não importa: os mesmos retornos, em qualquer sequência, produzem o mesmo valor final. Com retiradas — como na aposentadoria — anos ruins no começo causam muito mais dano que os mesmos anos ruins no fim, porque o dinheiro sai enquanto os valores estão baixos e deixa de participar da recuperação.
Por que a ordem importa
Sem fluxos, o valor final depende apenas do produto dos retornos, que é o mesmo em qualquer ordem:
Com uma retirada ao fim de cada ano, cada valor anual depende de tudo o que veio antes:
Uma retirada feita depois de uma queda vende mais cotas pelo mesmo valor, deixando menos cotas para se beneficiar da recuperação.
Um exemplo simples
Dois aposentados começam com 500.000 € e retiram 30.000 € por ano. Ambos passam pelos mesmos cinco retornos anuais, em ordens opostas:
| Anos ruins primeiro | Anos bons primeiro | |
|---|---|---|
| Retornos | −20%, −10%, +15%, +20%, +10% | +10%, +20%, +15%, −10%, −20% |
| Valor após cinco anos | 357.354 € | 416.232 € |
Sem retiradas, os dois teriam exatamente 546.480 €, porque os retornos são os mesmos. Com retiradas, quem enfrentou os anos ruins primeiro tem cerca de 59.000 € a menos depois de apenas cinco anos. Em uma aposentadoria de trinta anos, uma diferença dessas pode decidir se o dinheiro dura.
Quando pesa mais
- Nos anos imediatamente antes e depois do início das retiradas, quando a carteira está no maior valor.
- Com taxas de retirada altas, que deixam menos espaço para recuperação.
- Em carteiras com grande parcela em ativos voláteis.
Como reduzi-lo
- Uma reserva em caixa ou renda fixa equivalente a alguns anos de retiradas, para não precisar vender ações depois de um crash.
- Retiradas flexíveis: gastar um pouco menos depois de anos ruins e um pouco mais depois dos bons.
- Uma taxa de retirada inicial menor, como nas discussões em torno da regra dos 4%.
- Reduzir o risco aos poucos nos anos ao redor do início das retiradas.
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