O que é a contribuição para o risco?
A contribuição para o risco mede quanto do risco total de uma carteira vem de cada posição. É a contrapartida da contribuição para o retorno. A ideia central é que a participação de uma posição no risco pode ser muito diferente da sua participação no valor: uma posição volátil que se move junto com o restante pode dominar o risco mesmo com peso modesto.
A fórmula
A contribuição da posiçã para a volatilidade da carteira é o seu peso multiplicado pela sua contribuição marginal — o quanto a volatilidade muda quando o peso dessa posição cresce um pouco:
onde ão os retornos da posição e da carteira. As contribuições de todas as posições somam exatamente a volatilidade da carteira:
de modo que cada uma também pode ser expressa como percentual do risco total.
Um exemplo simples
Uma carteira tem 80% em um fundo de renda fixa com volatilidade de 5% e 20% em um fundo de ações com volatilidade de 20%. Por simplicidade, suponha que os dois não sejam correlacionados. A volatilidade da carteira é:
Os dois termos sob a raiz são iguais — 0,0016 cada — então cada posição carrega exatamente metade do risco:
| Posição | Parcela do valor | Parcela do risco |
|---|---|---|
| Fundo de renda fixa | 80% | 50% |
| Fundo de ações | 20% | 50% |
O fundo de ações é um quinto do valor e metade do risco. Numa carteira equilibrada típica, em que as ações oscilam muito mais que a renda fixa e as duas costumam ser positivamente correlacionadas, o desequilíbrio é ainda maior: uma carteira dividida 60/40 por valor costuma carregar de 80% a 90% do seu risco nas ações.
Por que importa
- Diversificar por valor pode ser ilusão. Uma carteira distribuída igualmente entre dez posições pode ter a maior parte do risco em duas ou três delas.
- Reduzir risco com eficiência. Aparar a posição com maior contribuição para o risco reduz mais a volatilidade por euro movimentado.
- Paridade de risco. Algumas estratégias montam carteiras para que cada classe de ativos contribua com a mesma parcela de risco, em vez da mesma parcela de dinheiro.
Limites
- Depende de estimativas. Volatilidades e correlações mudam, sobretudo em crises, e as contribuições mudam com elas.
- Volatilidade não é todo o risco. Uma posição com pequena contribuição pode carregar um risco que a volatilidade não captura, como um calote.
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